domingo, 7 de janeiro de 2018



Sim, você já ouviu falar de um tal de Forgotten Realms. Um monte de coisa de D&D fala desse bagulho e você acabou sacando que é tipo um mundo padrão do jogo. Mas quando você foi tentar sacar realmente de qual é a desse negócio a parada se mostrou mais tensa que o previsto, e quando você pediu ajuda te recomendaram ler uma wiki com milhares de artigos ou uns calhamaços de edições passadas.
  
Boa parte das pessoas conheceu Forgotten Realms aos poucos. Até porque conhecer tudo de uma vez é humanamente impossível mesmo, tem suplementos demais e centenas (isso mesmo, mais de cem) romances nesse cenário. A parada deve ser mais bem documentada que a história do Brasil e de fato é meio sem noção tentar digerir o cenário rapidamente.

Então esse breve guia vai lhe mostrar de forma bem mais ou menos, quiçá equivocada, porém ao mesmo tempo útil, um apanhado geral do cenário com mais pompa que rola por aí. Tu não vai poder sair falando de peito cheio pros seus 2d4 amigos nerds que agora tu manja pra caralho de FR (sigla pra Forgotten Realms), mas ao menos tu não vai mais boiar tanto nos papos e textos sobre ele.

O que é Forgotten Realms?

É um cenário oficial de D&D criado por um cara (hoje idoso) chamado Ed Greenwood por volta de 1967. Originalmente ele bolou esse “mundo” pra servir de cenário de umas historinhas da imaginação dele que ele elaborava desde muleque.

Coleção humilde de Forgotten Realms (apenas 6% dos títulos)
O negócio ficou mais pro, ele começou a ganhar dinheiro e culminou nesse cenariozão que muita gente joga e tem uma porrada de romances e coautores envolvidos.

1. De qual é a do cenário


O planeta do cenário chama Abeil-Toril e quase tudo do cenário foca num continente chamado Faerûn. Este nome é importante. Esse continente é o classsicão medieval D&D, uma europa meio pré industrial com elementos de fantasia. Como antes dito, FR contém muitos coautores e material próprio, então vai ter lá descrito um monte de regiões, países, geografia, guia de comida de taverna, guia de ecologia de certos picos, descrição das intrigas e tretas políticas, e todo o tipo de detalhismo que você imaginar. É difícil haver em FR espaço para criação absolutamente original de algum DM sem ferir ou contrariar algum aspecto da lore.

Além do medieval genérico, FR, afim de abraçar todas as possibilidades de jogo do mundo, insere todo tipo de cultura pré industrial que existiu no mundo real, pouco se fodendo pra sincronicidade das coisas. Tem um reino meio czarista de um lado, e duzentos km depois rola um reino meio franco/alemão que remete aos impérios carolíngios, e não tão distante tem uma espécie de egito antigo com faraós e tudo mais. E sim, tudo vai ter um suplemento detalhando ricamente a história e geografia local.

Não vai rolar de explicar como é cada região direitinho, mas dá pra fazer um apanhado. Se algo lhe interessar a referência bibliográfica vai te auxiliar a aonde buscar mais conhecimento.

    1.1. Faerûn

Uma Europa/Oriente-Médio/África medieval/renascentista. É onde se passa a maioria das coisas e é meio que o cenário original. Lá é onde mora aquele elfo negro famoso (Drizzt Do’Urden), o mago Elminster e onde tem umas cidades que deram nomes a games que você já deve ter ouvido falar. Neverwinter Nights? Se passa em Neverwinter (duh). Baldur’s Gate: Se passa em Baldur’s Gate (duhhhh). Icewind Dale? Se passa em Icewind Dale (duhhhhhhhhhh). Todas essas cidades fazem parte de FR, cada uma delas tem ao menos um livro só sobre a região delas e um monte de outras coisas mais.

Aqui se passam um monte de coisas bacanas, existe um reino de soldados que só usam roxo que é bem maneiro e segue códigos de cavalaria, existem reinos que lembram a França da guerra dos cem anos, outros a Inglaterra de sei lá quando, outros lembram a Itália desunificada e existe Waterdeep, que é a metrópole gigante que todos que vão se encantam (lembre-se que um camponês que passa a vida acordando-plantando-dormindo não tem tempo nem razão pra conversar sobre cidades que ele jamais verá, então é um privilégio ir lá).

Mapa antigo e raiz de FR

   1.2.  Shining South (Devir traduziu pra Sul Brilhante)

Pseudo-Africa, Pseudo-India e um pouco de uma fake Asia, cheio de selvas tropicais, pântanos cabulosos e um desertão gigante (onde tentaram inserir elementos de outro cenário foda, chamado Dark Sun, mas essa é outra história). Rola um reino magocrata chamado Halruaa que é bem legal e original pra falar a verdade.

     1.3. Unapproachable East (traduziram para “Oriente Inacessível”)

É meio que o oriente do Genghis Khan, pegada bem Mongólia e China. É uma região grande, então tem espaço pra umas coisas meio Tailândia ou Indochin. É onde moram os magos de Thay, um império meio nazista de magos insanos que fode com geral. Tem Rashemen que lembra a Rússia oriental, mas nada que seja digno de nota.

2. As expansões


A dona do D&D das antigas, a TSR, quis fazer uns cenários mais temáticos e específicos, introduzindo eles no planeta de FR pra que os GM’s não tivessem que reinventar uma cosmologia e a porra toda. Bastava os PJ pegar um barcão e tava resolvido. Cada um desses novos continentes seria uma espécie de “mini cenário” com temática menos diluída que Faerûn (que é um sopão de tudo) e mais fiel as versões hollywoodianas de alguns cantos do mundo real.

     2.1. Al-Qadim

No distante continente de Zakhara D&D arabian nights. Basicamente raças de D&D vivem nas terras do Aladdin. Tapete voador, gênio, e todo resto.

     2.2. Kara-Tur

Foi feito por um autor foda num suplemento foda chamado Oriental Adventures muitos anos atrás. Foi imediatamente conectado a FR afim de se tornar mais comercial (que é o destino de todas as coisas).

Esse mini cenário é uma coleção de diversos períodos históricos milenarmente distintos como a China imperial e o Japão feudal. É muito fera. Tem umas raças novas e muita gente joga nele fingindo que FR nem existe.

Os anões de Kara-Tur não possuem barba e, portanto, não são anões de verdade.

    2.3.  Maztica

Maias, Astecas, Incas, e um apanhado da história que temos de parte culturas americanas pré-colombianas. É bem dahora que fizeram um cenário disso, há quem critique que ele é bem ripadão mesmo, tipo, ele pouco mudou o nome das localidades originais e nem aspectos ddas culturas. É só um pastiche mesmo, o que dá a impressão de preguiça, mas na real nem é, o material é até bem feito.

3. História do Cenário Toscamente Descrita


3.1 A Criação

Um deus chamado Ao cria deusas gêmeas (uma luz e outra é escuridão, que novidade). Elas se odeiam. Começam a se bater e a pancadaria gera o planeta Toril e outros deuses. Entre esses deuses nasce Mystryl, que por não saber manejar sua própria criação morre uma penca de vezes até virar Mystra, a criadora da Trama, fonte de toda magia do universo. Daí tudo começou a desandar e pronto, um cenário de campanha está criado.

3.2 A Queda de Karsus

Muitos anos atrás um arquimago ateu chamado Karsus tenta salvar o império de Netheril (império humano antigo ultra foda) conjurando a única magia de 12º nível que existia (ao menos naquela edição). A magia fazia com que você assumisse o lugar e os poderes divinos da Deusa da Magia e inicialmente a ideia era bem boa, até que a magia do mundo começa a bugar porque um mago de trigésimo nível não é a mesma coisa que uma deusa de infinitésimo nível que lida com a porra da magia diariamente. Resumindo Karsus fudeu com a vida de geral naquele dia. Por sorte Mystryl se sacrificou para salvar o mundo da catástrofe e depois renasceu Mystra, listando mais uma das infinitas mortes e renascimentos que a divindade da magia sofre ao longo do tempo.

3.3 Tempo das Tormentas

Dois Deuses do Mal decidiram roubar umas placa de concreto do deus mór, lorde Ao. O deus mór ficou puto e mandou todos os deuses descerem como avatares mortais em Toril (o planeta) até que alguém reaparecesse com as tábua de concreto. Rolou um monte de tretas e uns mortais ajudaram os deuses a reparar as merdas e como prêmio ascenderam a divindade. Até aqui só temos eventos da segunda edição e alguns anos depois é onde vai se passar a terceira.

3.4 The Spellplage

Foi uma treta que rolou na quarta edição e pouco importa. Basicamente a Wizards tentou dar um reset em FR.

3.5 The Sundering

Como os fãs ficaram putos com o reset, a Wizards voltou atrás e desfez tudo, voltando o cenário de volta ao que era na 2e/3e. É o último evento relevante de FR na 5e.

4. Curti Quero Saber Mais


Se não quer gastar dinheiro eu recomendo os seguintes sites:

https://aventureirosdosreinos.com/ Excelente descrição cronológica dos eventos, com linhas do tempo e descrição dos lançamentos, e em português!!!

http://forgottenrealms.wikia.com/wiki/Main_Page A wiki de FR, tem quase tudo que você precisa sem ter que gastar um tostão. Tem que saber inglês.

http://forum.candlekeep.com/ O fórum dos viciados em FR. É gigante e tem muitos editores da própria wiki de FR debatendo ferrenhamente um cenário fictício. O próprio Greenwood autor do cenário é atuante.

https://twitter.com/theedverse twitter do Greenwood, ele costuma responder quase todo tweet com dúvidas minimamente pertinentes sobre o cenário.


Se quer gastar:

O livro da terceira edição é um excelente apanhado de FR (tem em português pela Devir). Com apenas ele dá para você ter uma vida de campanhas no cenário. Tem muita coisa lá e não entra num nível de detalhismo que chega a sufocar o DM.

Os livros traduzidos pela Abril da segunda edição são uma boa também, eles não estão centralizados num só capa dura como na terceira, mas darão um excelente volume de material também.

O Sword Coast Adventurer’s Guide da quinta edição é meio resumidãao, só foca num pedaço de um continente, mas dá um breve apanhado na cosmologia e geografia de certas regiões.

Se você manjar inglês e estiver com bala na agulha, uma ótima pedida é o Grand History of the Realms (com uma lindíssima capa do Lockwood), é meio enciclopédico e menos didático, mas é uma verdadeira bíblia da cronologia dde Forgotten Realms.


E por último, se você quiser conhecer bem aspectos 0 mecânicos, só a cultura e tudo que é coisa não associada ao sistema, eu recomendo o Elminster’s Forgotten Realms. Esse livro é um mimo pros fãs do cenário. Vai aprender sobre moda e etiqueta dos reinos, vale pros que se interessarem. 

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